30 julho 2012

A minha escuridão

Postado por Carolina Ctfra às 16:40
Sempre achei a noite um dos cenários mais bonitos que se pode presenciar na vida. A escuridão que toma conta sendo quebrada apenas pelas estrelas que ocupam todo o céu e a lua grande e brilhante que prende a atenção de todos. Sempre adorei, mas como tudo, isso também mudou. A noite chega e trás junto aquele silêncio, que me faz embarcar em pensamentos que me torturam diariamente. Lembro de tudo que passamos, imagino o que mudaria e faço planos para o futuro. Rolo de um lado para o outro da cama com a imaginação cada vez mais fértil alimentando a angústia. Essa insônia está me acompanhando desde o dia que você resolveu que não dormiria mais comigo e foi embora sem dar explicação. O tempo passou, mas ela, assim como o seu cheiro no travesseiro, continua aqui perturbando o que resta do meu juízo. Faltando menos de uma hora para o despertador tocar e começar mais um dia tenebroso que eu vou agir mecanicamente (apenas fazendo o que tenho que fazer e respondendo as perguntas que forem feitas diretamente a mim), consigo dormir e sonhar com você, claro. Começo a reproduzir ­– cena por cena – a nossa pequena novela dês do dia em que nos conhecemos até a despedida. Cenas perfeitas e consigo observar cada detalhe, cada cheiro e cada ação sua para que eu possa atualizar minhas lembranças que insistem em escapar.

Então o despertador toca e me deparo com a minha briga interna, pois até hoje não resolvi se sonhar com você é um erro – já que me faz remoer tudo que vivemos inclusive a perda, o que me faz acordar ainda pior – ou se é a “válvula de escape” para a minha dor – já que quando sonho com você consigo recordar de todos os detalhes e percebe que nós éramos felizes, e é isso que me da forças para continuar. Assim começo a escutar os pássaros cantando, os barulhos de carros e motos na rua, e resolvo abrir os olhos. Deparo-me com um sol forte, e percebo que todo o silêncio e escuridão se foram e é isso que me faz criar coragem de levantar para começar mais um dia comum. Pois sei que isso é só um teste e mesmo que ainda não esteja pronta para continuar, preciso sobreviver. Então aproveito a claridade e sigo em frente, sabendo que é ela que me mantém forte e que quando ela se for uma nova batalha irá começar. Não a batalha eu versus você, porque essa eu superei – aceitei a derrota – mas a batalha dentro de mim, porque essa é a mais difícil de vencer.

0 comentários:

Postar um comentário

Se gostou do post comente e faça uma blogueira feliz!
Prometo ler e responder todos os comentários.
Obrigada. Beijos!

 

Densidade Feminina Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos