30 outubro 2012

Resenha: Apaixonada por Palavras - Paula Pimenta

Postado por Carolina Ctfra às 15:42 0 comentários
Título: Apaixonada por Palavras
Autor: Paula Pimenta

Editora: Gutenberg
Páginas: 159
Classificação: ★★★★☆


Sou suspeita para falar dos livros da Paula Pimenta, porque sou completamente apaixonada pelas temáticas próximas da realidade e pela narrativa leve, que são características de todos os livros da autora. Depois de muitas risadas e lágrimas com a série Fazendo Meu Filme prometi que iria comprar todos os livros da Paula e quando lançou Apaixonada por Palavras eu fui correndo comprar. A primeira coisa que me chamou atenção no livro foi a capa cheia de M&Ms, que é incrível. A segunda coisa que despertou meu interesse foi o fato de ser uma coletânea de crônicas baseadas no dia a dia da autora, confesso que nunca tinha lido crônicas dela e achei muito interessante, pois pude perceber como ela pensava sobre diferentes temas a partir dos anos 2000.
“Antes derramar lágrimas do que ter um rosto constantemente seco e um coração sem sentimento. Antes atravessar uma tormenta que nos sacode e nos faz pensar do que passar pela vida anestesiados. Porque só quem sente a tristeza tem vontade de obter a felicidade. E os poucos momentos em que a alcançamos compensam todas as lágrimas que derramamos no caminho.”                                 
Confesso que não sou muito fã de crônicas, porque elas são baseadas em acontecimentos simples do cotidiano e são textos pequenos, e por isso não dá tempo de desenvolver as características dos personagens e nem os sentimentos deles. Mas a Paula Pimenta me fez perceber que é possível transmitir sentimentos e causar impacto nos leitores com poucas páginas. A única coisa que não gostei foi a repetição de temas como, por exemplo, 2 crônicas falando sobre o primeiro beijo, e uma temática vazia sobre o Big Brother Brasil, afinal nós sabemos que a Paula tem capacidade para fazer textos com assuntos mais impactantes. Fora isso o livro é perfeito, então se você está procurando uma leitura rápida, gostosa e inspiradora eu indico esse livro. Então se você ainda não leu corra e, assim como eu, se apaixone pelas palavras da Paula Pimenta.

28 outubro 2012

Entre Aspas: O grande dia

Postado por Carolina Ctfra às 15:35 0 comentários

Olha, eu quero te pedir pra parar com isso. Não dá mais, não está certo, desse jeito você vai acabar muito machucada. Não quero que você fique ferida ou que as cicatrizes fiquem latejando feito loucas. Você tem que superar, tem que seguir em frente, tem que deixar certas crenças lá atrás, no passado.

Nós sabemos que expectativas demais não fazem bem a ninguém. Muito menos a você, que é tão sensível. Pensei que você tivesse amadurecido um pouco, virado mais mulher, mais adulta, mais firme. Mas não. Você continua aquela criança que gosta de ganhar, que não aceita cara feia, que se magoa com um tom de voz mais elevado, que acha que qualquer coisa é motivo de tristeza. Você continua aquela adolescente com um quê de melancolia no olhar, que sente vontade de bater portas e gritar palavrões quando é contrariada.
Está mais do que na hora de você crescer e encarar a vida de frente. Ninguém vai te ajudar, ninguém é seu porto seguro, sua salvação. Ninguém é seu amigo de verdade. É isso mesmo, as pessoas são egoístas e pensam nelas mesmas. Pensar só nos outros não vai te levar a nada, só vai te trazer mais frustração e sofrimento. Para com isso, por favor, para com isso. Viva a sua vida, deixa a vida do outro, deixa que ele resolva o problema dele, ela resolve o problema dela. Todo mundo é bem grandinho e se não for a vida ensina. Por favor, se preocupe com você, com a sua vida, com seus sonhos que foram assassinados, com seus planos que foram cortados com tesoura e não podem mais ser remendados e colados com cola em bastão. Por favor, deixa os outros pra lá, você não vai salvar ninguém. É sério, não vai.

O mundo lá fora é duro. É cada um por si, é selva, é luta, é intriga. Pega teu escudo e abre a porta, vai pra guerra, vai pra vida, não olha pra trás. Guarda as lembranças em algum cantinho da memória e do coração, cuida bem deles e vai. Para com isso, não fica querendo voltar, resolver as coisas, o que tem que ser será. É isso que dizem e você tem que acreditar em tudo isso. Para, para, chega. Muita gente pode rir junto, contar piada, chorar junto, até mesmo impedir algumas lágrimas, mas ninguém vai te conhecer por inteiro. Ninguém.

As pessoas estão preocupadas demais com suas próprias vidas. Se dizem "amigas", mas não são amigas, a gente sabe bem disso. São conhecidas, parcerias de vodka, companhias de cinema, confidentes. Mas não seriam capazes de imensos sacrifícios por você. Quer saber? Quem faz sacrifício é a sua família - e olhe lá. Quem se sacrifica mesmo é sua mãe, seu pai - e olhe lá. Tem muita mãe e muito pai que não se importam com nada. Você está sozinha, entenda. Sozinha. Não existe amigo, conhecido, homem, mulher, nada que vai te salvar. Nada te salva do grande dia. O grande dia em que você resolve passar a sua vida a limpo e entender quem você é.


Texto da Clarissa Corrêa que cursou Direito e Psicologia, mas descobriu que gosta mesmo é de escrever. Desde então escreve crônicas, contos, receitas e cartas no blog. Vocês também podem encontrar ela no Twitter.

26 outubro 2012

Os ideais do mundo moderno

Postado por Carolina Ctfra às 14:27 0 comentários

Vivemos em uma época que todos insistem em classificar como modernidade, mas o que é ser moderno? O que seria modernidade? Talvez as pessoas n ão tenham entendido o verdadeiro significado disso e por isso acabam surgindo alguns problemas comuns atualmente.

Algumas pessoas acham que para serem classificados como modernas ou descoladas precisam usar roupas curtas, beber, usar drogas, beijar dez em uma noite, ficar de recuperação, falar mentira para a família, dirigir, não se importar com o futuro, ter celulares e roupas de marcas. Mas isso tudo não é ser moderno, pelo contrário, quem pensa assim é atrasado. Ser moderno é se preocupar com o meio ambiente, é se dar o valor, é correr atrás do que quer sem depender de ninguém, é respeitar as diferenças, é não ter medo de viver e de encarar a realidade.

Realmente estamos vivendo na modernidade, afinal no passado nenhuma pessoa imaginava que poderíamos chegar à lua, comunicar com pessoas do outro lado do mundo em tempo real ou que encontraríamos a cura de certas doenças. Mas apesar da tecnologia ter avançado, parece que o ser humano continua estagnado. Como somos capazes de criar softwares incríveis, mas não somos capazes de aceitar a privacidade das outras pessoas? Como somos capazes de criar aviões, mas não somos capazes de aterrissar e aceitar a realidade? Nós somos inteligentes para algumas coisas mais ignorantes para outras, mas eu realmente acredito que possamos formar uma sociedade moderna e madura, basta a gente quer. Então chega de fazer projetos para o futuro, vamos começar a agir! Pare de criticar as pessoas, pare de tentar passar todo mundo para trás, pare de achar que o dinheiro é o mais importante na vida, pare de achar que você pode fazer tudo, acabe com o seu preconceito, acabe com esse rancor, acabe com esse medo de viver, pois só assim você vai poder viver de verdade. Só por hoje tente ser feliz completamente, só por hoje tente fazer outras pessoas felizes. Tente ser maduro, mesmo que seja só por hoje!

23 outubro 2012

Migalhas

Postado por Carolina Ctfra às 16:57 0 comentários
Você sempre soube que eu gostava de você, sempre soube que eu te achava lindo de blusa xadrez, sempre soube que odeio buques de flores e chocolates, sempre soube que odiava regata branca e música sertaneja, que odiava academia e comidas saudáveis, e sempre soube que declarações de amor e demonstrações de sentimentos não eram o meu forte. E mesmo assim você enfrentou o desafio, pegou suas armas – no caso o seu charme e sua inteligência – e partiu para a guerra. Você sempre soube que eu sou como uma bomba pronta para explodir e machucar todos a minha volta, mas mesmo assim você não desistiu. Insistiu, lutou, perdeu algumas batalhas, mas a guerra você venceu. Desativou a bomba e tirou minhas armaduras. Você conseguiu o que nenhum garoto já mais chegou perto, fez com que eu me apaixonasse. Mas eu não mudei completamente, infelizmente você não tem esse poder todo, e mesmo com todo esse sentimento eu não conseguia me expressar, não conseguia demonstrar o quanto eu te amava. Você sempre soube que seria difícil e talvez seja isso que tenha te atraído, afinal como pode uma pessoa perfeita como você se apaixonar por uma pessoa tão complicada como eu? Eu não sei. Eu nunca sei de nada, não entendo o que você fala e muito menos o que deixa nas entrelinhas. Mas você sempre sabe, você sempre entende tudo. Você sempre soube a hora certa de me mandar mensagens fofas e o momento exato de me deixar correr atrás do nosso amor. Você sempre soube quando eu precisava de um abraço e sempre esteve pronto para me dar. Às vezes eu aceitava e outra preferia me afastar. Pois é, eu não entendia nada e não sabia lidar com esse sentimento. Mas você sempre entendeu. Sempre soube que quando eu me afastava era por medo de não conseguir recolocar minhas armaduras, por medo de me afogar em tanto sentimento. Mas você entendia e respeitava minha necessidade de ficar sozinha afinal você sempre soube que eu acabaria voltando. Mas dessa vez vou ter que te desapontar, meu bem, porque eu não nasci para esse amor de novela. Talvez seja por medo de encontrar a felicidade ou talvez por medo de te decepcionar. Para falar a verdade eu não sei do que eu tenho medo, a única certeza que tenho é que você não merece essas migalhas de amor, e por isso resolvi deixar de ser egoísta e te libertar. Por isso, meu bem, quero deixar claro que eu não voltarei amanhã, isso é um adeus.

21 outubro 2012

Entre Aspas: Menina ou mulher?

Postado por Carolina Ctfra às 10:39 1 comentários
 

Às vezes eu paro para pensar, e me pergunto: 'Ainda sou menina? Ou será que já sou mulher?' Aos meus 16 anos, pra completar 17 ainda nesse, eu não sei a resposta. Ou será que sei? Em poucos dias, vou começar a cursar o meu último ano do ensino médio, e depois disso adeus colégio, para sempre. Vai começar toda aquela história de vestibular e faculdade. Tenho que confessar que estou com medo. Literalmente, eu sinto como se estivesse chegando o fim de uma etapa de minha vida, e o início de outra. Eu quero muito me lembrar dessa fase, e eu irei. As melhores recordações possíveis, mas não é disso que tenho medo. O medo é de não conseguir, de ter que caminhar sozinha, pois, querendo ou não, laços serão desfeitos, amigos irão se separar, cada um pra um lado. E eu realmente não quero que essa distância modifique o sentimento de amizade. Acho que tenho medo de crescer, medo de deixar de ser essa eterna criança que eu sou, que não tem medo de nada.Quero prometer a mim mesma, que por mais mulher que eu me torne, que eu nunca deixe ir embora essa menina que habita em mim. Talvez eu seja uma menina que anseia ser mulher, ou talvez uma mulher que queria ser menina. Quem sabe um meio termo disso. Talvez uma menina com maturidade suficiente, e mulher com sonhos de menina. Uma metamorfose. Quero me formar, fazer a faculdade dos meus sonhos, e fazer o que eu realmente gosto. Mas o que é certo? Fazer o que gosta, ou o que sabe fazer? Acho que uma junção das duas coisas.

Mas, apesar de tudo isso, de uma coisa eu tenho certeza. Eu vou lutar, eu vou conseguir, eu vou vencer. Vou me tornar uma mulher independente, bem sucedida, inteligente, e principalmente feliz. Porque quando nós acreditamos e queremos, podemos ser o que quisermos.


Esse texto é da Marie Raya que é apaixonada por escrever e que cursa jornalismo. Ela escreve sobre musica, livros, comportamentos e cria alguns contos, enfim tem um pouco de tudo. Eu garanto que vale a pena conhecer o blog dela.

17 outubro 2012

Amor de verdade

Postado por Carolina Ctfra às 14:26 0 comentários
Não acredito em final feliz. Não sonho em ter o homem mais bonito, inteligente, charmoso e atencioso do mundo. Não quero um homem que deixe de ver o futebol ou que deixe de sair com os amigos para ficar comigo. Não espero um homem que me entenda, que me mande mensagens de madrugada e que lembre da primeira vez que ficamos. Não espero um homem que seja indiferente a minha mania de escrever sobre tudo ou que aceite o meu jeito perfeccionista. Não quero um homem que me ache perfeita e que não ligue para minha TPM.

Não espero encontrar o amor da minha vida exatamente enquanto o sol se põe. Não espero que o amor da minha vida desista de uma viagem de negócios para ir atrás de mim. Não espero acordar no meio da noite com barulho de pedrinhas batendo na minha janela. Não acredito que vamos ter uma música de fundo cada vez que nos encontrarmos. Não espero receber declarações de amor perfeitas em todos os lugares. Não acredito que o canalha da escola possa se apaixonar pela menina tímida e mudar radicalmente do dia para a noite. Não acredito que um homem desista de pegar um avião, atravesse a cidade na chuva apenas para me beijar. Aliás, beijos na chuva são típicos de filmes.

Não acredito e não espero nada disso, afinal essas estórias só acontecem nas comédias românticas e elas só duram 90 minutos. Então espero que a minha estória seja completamente diferente. Quero que o homem da minha vida saia sexta com os amigos, que se esqueça de me mandar mensagens de boa noite e que não abra a porta do carro. Quero que ele fique impaciente com minha TPM, mas que compreenda e me ajude nesse período. Quero que ele saiba o momento certo de me abraçar, mas que respeite quando eu preciso ficar sozinha ou sair com as amigas. Quero um homem que aceite o meu orgulho e entenda que eu sempre vou me amar acima de tudo. Quero um homem cheio de defeitos, mas que também aceite os meus. Quero um homem todo errado, mas que seja o certo para mim. Quero um homem para me acertar, acertar a minha vida, mas, principalmente, acertar o meu coração. Afinal, histórias perfeitas só existem na Disney e, cá entre nós, eu estou longe de ser uma princesa.  Por isso eu espero um homem cheio de problemas e um amor complicado, mas que não seja uma história de amor inventado, que seja um amor de verdade. Que seja a minha história de amor!

15 outubro 2012

Seus fantasmas me assombram

Postado por Carolina Ctfra às 15:36 0 comentários
Você sabe que dia é hoje? Você se lembra da importância desse dia para a gente? Você se lembra de como comemorávamos ele? Claro que não se lembra afinal você esquece muito rápido, e tenho certeza que nesse momento você está em uma festa qualquer comemorando suas novas conquistas. Conquista está que eu desconheço, assim como você desconhece tudo que eu passei depois que tudo acabou. Depois que a gente acabou. Confesso que as lembranças de nós dois estão se perdendo no tempo e eu sei que em breve essa dor no meu peito vai desaparecer. Mas quando acordei hoje e descobri que dia era não teve como não lembrar de cada minuto que passamos juntos. Recordei-me dos beijos na praia, dos carinhos, do seu sorriso torto, das piadas sem graça, da sua covinha, dos presentes trocados e das datas comemorativas. As lembranças estavam fora de foco e algumas até incompleta mas a saudade continua igual, ou melhor, está muito maior. Lembrei-me até do adeus, e para a minha surpresa ele não doeu tanto. Claro que senti calafrios, raiva e até senti uma lágrima escorrer, mas a dor agora é bem menor. Acho que é efeito do tempo, acho que a dor está se transformando em saudade, e fico feliz por isso, afinal só sentimos saudade daquilo que não nos pertence mais, e eu finalmente aceito que você não é mais meu.

Fiquei com vontade de te mandar mensagem, mas não sabia se o seu número ainda era o mesmo. Pensei em te mandar um e-mail, mas lembrei que ninguém lê e-mail. Pensei em te chamar no chat do facebook, mas percebi que você estava offline, e foi nessa hora que a fixa caiu. Eu não tenho que te procurar, descobrir o que mudou em você e nem saber se você se lembra que hoje nós iríamos fazer 2 anos de namoro. Não temos que manter contato, afinal você foi embora, você resolveu ficar offline na minha vida, resolveu que não valia apena lutar por nós dois. E eu tenho que aceitar isso.
Só hoje eu vou me permitir chorar, sentir, reviver e ter esperança. Mas amanha é outro dia, e pode ter certeza que não vou ter outro momento de fraqueza como esse. Hoje percebi que para seguir enfrente preciso fechar esse ciclo, preciso está inteira para que outro possa começar. É por isso que estou escrevendo essa carta, para poder te mostrar que apesar de não ter te esquecido eu estou lutando para isso, e você sabe que eu não desisto até conseguir. Estou te escrevendo para te dar os parabéns, por você ter conseguido o que eu não consegui, amar e esquecer na mesma rapidez. Estou te escrevendo apenas para tirar um peso do meu coração. Estou te escrevendo para me livrar definitivamente de tudo que restou de você em mim, e junto com essa carta estou te devolvendo todos os presentes que você me deu, afinal quando os vejo me esqueço do motivo pelo qual estou tentando te esquecer. Só peço é que você devolva o meu coração e minha alegria que ainda estão com você. Estou te devolvendo tudo, a única coisa que ainda fica aqui é o seu fantasma, que em dias como esse, insiste em me assombrar, mas peço que também fique com ele.

13 outubro 2012

Entre Aspas: O que ainda não aprendi!

Postado por Carolina Ctfra às 15:53 2 comentários
Sempre ouvi dizer que a vida ensina e que o tempo cura tudo. Mas hoje preciso te contar que certas coisas a vida ainda não fez o favor de me ensinar e que o tempo se atrasou e ainda não veio me libertar de uns desejos. O tempo nem sempre cura tudo. Tenho feridas que já cicatrizaram, mas que insistem em latejar quando o dia está nublado. Tenho mágoas que já foram superadas, mas se lembro bem, se lembro forte, se penso nelas eu choro. E o choro dói, dói, dói como se fosse ontem. Tenho vontades que nunca passam. Tenho uma tara por chocolate e queijo que nunca saiu de viagem. Tenho mania de escrever em blocos e ter pelo menos dois deles sempre dentro da bolsa. Tenho sentimento de posse, tenho ciúme, tenho medo de perder quem é essencial na minha vida. Tenho medo de me perder, por isso acendo todas as luzes.

A vida me ensinou a perdoar os outros. Mas fez questão de me mostrar que a gente pode perdoar sem esquecer. Minha memória é boa, sei quem pisou na bola. Aceito que as pessoas errem uma ou dez vezes, desde que se arrependam com o coração. Arrependimentos da boca para fora nunca me convenceram, apesar de eu já ter caído em ladainhas toscas sem fim. A vida ainda não me ensinou a me perdoar. Me condeno, me mando para a cadeia, para a solitária, como pão e água. Cumpro minha pena e nem assim descanso. E eu não sei pedir. Meu Deus, eu não sei pedir ajuda. Nunca gostei de depender dos outros. E tem mais: não consigo dizer eu-preciso-de-você-agora. Sei que é simples, mas não sai. Algo me trava, a voz não sai.

Tenho um orgulho que não me deixa. Acho que tenho que ser a fortona do pedaço, que consigo me reconstruir, me levantar sem dar a mão para ninguém. Não gosto de admitir nem assumir fraquezas nem de demonstrar a minha própria fragilidade. As pessoas fazem SOS a todo instante. Choram, pedem, imploram, suplicam. Não consigo. Para mim isso é traição. Não consigo chegar para a outra pessoa e falar tô-acabada-tô-precisando-não-vou-conseguir-sozinha. Sinto um terror só de pensar.

Ninguém nunca me disse que eu precisava ser forte. Um dia, sei lá quando, eu resolvi que ia ser. Sempre fui aquela que ouviu todo mundo, automaticamente achava que tinha que dar força para os outros. É claro que mil vezes peguei o telefone chorando perguntando o-que-eu-faço. Mas isso é quando eu era adolescente e estava arrasada porque algum bonitão me deu o fora. Meus assuntos sérios e profundos eu nunca soube dividir. Penso que a vida é minha, o problema é meu, ninguém têm que ouvir minhas lamúrias, tristezas, coisas chatas e ruins. Penso que me viro sozinha. Penso que me resolvo comigo, que dou um jeito, que consigo.

Quer saber uma verdade? Isso cansa. Vejo tanta gente dizendo que eu sei tudo, que eu posso ajudar, que isso, que aquilo. Eu não sei nada, apenas me sintonizo com minhas emoções. Não posso ajudar em nada, apenas escuto o meu coração. Ele fala tanto que deixa tonta. Cansei de ser forte, cansei de não saber pedir ajuda, cansei de tentar fazer tudo ao mesmo tempo, cansei de não conseguir dormir direito pensando no que preciso comprar para a faxineira, cansei de tomar café pensando no que me espera na agência, cansei de não conseguir sossegar meu pensamento, cansei de esconder meu lado frágil, inseguro, cansado. Cansei de aceitar a minha imperfeição sozinha. Por favor, me aceite também.


Texto da Clarissa Corrêa que cursou Direito e Psicologia, mas descobriu que gosta mesmo é de escrever. Desde então escreve crônicas, contos, receitas e cartas no blog. Vocês também podem encontrar ela no Twitter.

10 outubro 2012

Oito dicas para superar o fim do relacionamento

Postado por Carolina Ctfra às 12:08 0 comentários
Amar é o sonho de muitas pessoas, mas poucas conseguem, e quando isso acontece, elas se sentem completamente felizes e realizadas. Nos acostumamos com os defeitos da pessoa, com as borboletas no estômago e com os sentimentos transbordando do coração. Mas quando tudo isso acaba ficamos arrasados, nos culpando e sem saber o que fazer para conseguir superar o término. Sei que não existe uma fórmula mágica para apagar o que sentimos, que é uma tarefa árdua dar a volta por cima e aceitar abrir o coração novamente, mas não é impossível. Por isso preparei algumas dicas para ajudar vocês a superar o fim dos relacionamentos.


1-    Aceite e viva o luto
Aceite que não tem mais volta e expresse todo a sua dor. Sei que não é fácil, por isso tire o dia para se recuperar, alugue Querido John, veja as fotos para recordar os momentos felizes, escute músicas românticas e passe o dia chorando. Mas lembre-se que você já passou por isso antes, e que superou todas às vezes, por tanto depois do período de luto todas as lembranças que te façam mal devem ser enterradas.
 
2-    “A esperança é a última que morre”
Pare de imaginar como as coisas iriam ser se tivessem acontecido de forma diferente, pare de achar que ele só terminou “porque você merece coisa melhor”, pare de achar que ele está sofrendo e que vocês podem reatar a qualquer momento. A esperança, nesse caso, não pode ser a última que morre, pois isso iria te fazer ficar iludida e sofrer mais.  

3-    Evite contato por algum tempo.
É super fofo ex-namorados que se tornam amigos, mais isso exige maturidade dos dois e fica difícil ser amigo se uma das partes estiver interessada em reatar. Por isso é melhor manter certa distância, pelo menos no começo, enquanto você recompõe o coração partido.


4-    Nada de ficar fechada em casa
O momento luto já passou, você já chorou todas as lagrimas que tinha, então limpe esse rosto, escolha uma roupa linda, passe uma maquiagem linda, coloque um salto agulha e arrase na balada. Saia com as amigas, dance, beba, faça novas amizades e ocupe sua cabeça com outras coisas.


5-    Não tente curar a falta de alguém com uma nova paixão
Aquele clichê "um coração partido só se cura com outro amor” não é a melhor opção, já que você pode acabar magoando outra pessoa e mesmo assim não esquecer o ex. O certo é superar o término de um relacionamento sozinho, buscando refletir sobre o fim, onde você errou e o que fez certo. Portanto, saia e se divirta, mas só fique com outra pessoa quando se sentir pronta e quando perceber que não está fazendo isso só para atingir o ex-namorado.


6-    Não se culpe por não ter dado certo
A culpa não é só dele e nem só sua, portanto não se culpe. Por isso não fique se achando feia, gorda, possessiva ou achando que você nunca vai arrumar achar o amor da sua vida. Afinal, o relacionamento acabou, mas a auto-estima e o amor próprio têm que permanecer intactos. Se for ajudar a se sentir mais desejada, mude o visual, corte o cabelo, faça as unhas, compre roupas novas e escute outros estilos de músicas. Não importa o que você esteja passando, as pessoas não precisam saber e muito menos sentir dó, portanto seja linda, pense linda e aja linda!


7-    Nada de se transformar em stalkear
Não adianta ficar mexendo facebook e twitter dele para saber onde ele esteve no final de semana, afinal essa é uma forma de paralisar a própria vida para tomar conta da vida de outra pessoa, então pare de investigar a vida dele, olhe para frente e invista no novo. Além disso, quando homens terminam relacionamentos começam a adiciona todas as meninas da cidade e frequenta todas as baladas, seja para te atingir ou para “recuperar o tempo perdido''. Por isso não procure saber sobre a vida do ex, assim o tiro dele vai sair pela culatra e você vai se livrar de algumas decepções. Outra coisa que deveria ser proibido após o término são as indiretas nas redes sociais. Falar que já superou, ir para balada e ficar com outros garotos não adianta nada, se você passa o dia postando frases da Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e Tati Bernardi, pois assim todas as pessoas vão perceber o seu sofrimento (recalque) e isso só vai aumentar o ego do ex-namorado. 


8-    Siga em frente mas não esqueça o passado
Terminar causa muito sofrimento e por isso ficamos desesperadas para esquecer, porém acredito que as pessoas não devem esquecer o ex-namorado e, sim superar o termino. Sendo assim não visualize seu ex como tempo perdido, mas como lição de vida e lembre-se das coisas boas que viveram juntos, afinal ele te fez amadurecer e, por isso, ele sempre vai fazer parte do que você se tornou.


 E vocês, já sofreram por amor? Conte para gente o que vocês fazem para superar o fim de um namoro.

06 outubro 2012

Entre Aspas: Do direito de ser quem somos

Postado por Carolina Ctfra às 16:23 0 comentários


Já dizia o meu professor, a vida é um teatro onde nós somos personagens de nós mesmos. Dispensando aqueles clichês baratos de que a vida é uma peça que não permite ensaios eu lhes digo que, pelo contrário, a vida é cheia de ensaios. Desde o momento em que você para na frente do espelho e repete uma cantada barata ou um pedido de namoro, até o momento em que você realmente realiza aquilo. Porque quando você realiza algo, isso pode se tornar um ensaio para outra ação do futuro, mas é claro que a cena que passou não volta. Você não pode repassá-la ou corrigi-la, mas você pode aprender com os erros dela.
Nós somos os protagonistas da nossa vida, somos nós que escrevemos o roteiro dela e muitas vezes, com ajuda. Somos personagens da vida e não somos sempre os mesmos, somos mutantes, curiosos e humanos. Por vezes, errados e errantes, mas nunca irrelevantes. Protagonistas não podem ser coadjuvantes, de jeito nenhum! Enquanto você está aí morna, na medida certa e cheia de medos, tem outras pessoas realizando os seus sonhos. Você reclama dos rótulos que as pessoas te dão, reclama dos pré-julgamentos, mas já rotulou a si mesma. Acha-se menina demais para ser mulher, nerd demais para ser baladeira, fofa demais para ser sensual, mulherão.
A vida é um teatro, menina. E da sua vida quem sabe é você, quem cuida é você. Você pode ser quem você quiser sem deixar de ser você, porque essência a gente não muda. Mas cabelo a gente corta, pinta, transforma. O olho você contorna, passa rímel, cílios postiços, sombras coloridas ou pretão poderoso, mas o olhar é o mesmo. O mundo é cruel e te julga, mas vai te julgar sempre só por você respirar. Só por você existir. Você pode ser a garota boa e comportada ou a garota má que não tá nem aí pra nada, não importa, não dá para agradar o mundo todo, mas o mundo pode ser seu. Porque você pode o mundo.
Nós podemos ser tudo o que quisermos e quando quisermos, nós temos o direito de escolher, de mudar, de sermos sempre diferentes e sempre nós mesmos. Porque quem nos vê por fora, não vê por dentro. Mas permita que as pessoas conheçam também o lado de dentro, sem medo de assustar com a sua risada alta, com seu falar rápido demais, com o seu excesso de tudo. Transbordar não é vergonha, isso só mostra que quando somos muito, não cabemos dentro de nós mesmos.
Não deixe que o mundo te cale ou te esconda, mostre para o mundo quem você é, mostre quem você pode ser. Quem você quer ser hoje? E amanhã? Seja sem receios, sem culpa ou vergonha. Seja quem você quiser ser sem nunca deixar de ser você. Nós temos o direito de ser tudo aquilo que sonhamos, de ser tudo o que realmente somos e o único direito dos outros em relação a isso é respeitar. Porque na sua vida, a protagonista é você e "os outros são só os outros", são só platéia que antes de vaiar ou aplaudir precisa entender. Não tenha medo de ser, de estar, de sentir, pois quem não sente não é, então seja tudo o que você deseja e seja agora. O mundo pode ser seu, mas só se você quiser.


Esse texto é da Marie Raya que é apaixonada por escrever e que cursa jornalismo. Ela escreve sobre musica, livros, comportamentos e cria alguns contos, enfim tem um pouco de tudo. Eu garanto que vale a pena conhecer o blog dela.

04 outubro 2012

Crescer não seguinifica amadurecer

Postado por Carolina Ctfra às 15:34 0 comentários
É engraçado como as pessoas nunca estão satisfeitas. Quando temos cinco anos só queremos nos divertir, assistir horas de desenho animado, ter cada vez mais brinquedos, correr e brincar de esconde-esconde. O tempo não para, mas com essa idade tudo que queremos é que ele passe bem rápido, para que finalmente possamos usar a maquiagem da irmã mais velha, para podermos sair com os amigos e ficar vendo televisão até tarde. Nessa época nós somos tão inocente que chegamos a acreditar que crescer é legal. Mas o tempo passa e finalmente atingimos a idade que sonhamos, os 15 anos. Sendo assim, já podemos sair com os amigos, planejar a festa ou viajem de aniversário que sempre sonhamos, ver filmes até de madrugada, usar salto alto, ir a festas e dormir a hora que quiser. Sempre desejei crescer, mas se agora eu pudesse escolher, voltaria a ser criança. Porque de repente os brinquedos dão lugar aos livros, a inocência da lugar a responsabilidade, de repente você percebe que as pessoas não são tão boazinhas como aparentavam e descobre que final feliz só acontece nos contos de fadas. De repente você entende o motivo de não ter tido todos os brinquedos quando era criança e percebe que ter um cartão de credito não é tão bom assim, afinal junto com ele vem o dever de administrar o dinheiro. De repente a fada do dente te abandona, o bicho papão não serve mais como desculpa para você dormir na cama dos pais, e você passa a não receber presentes no dia da criança.


Para piorar, junto com todas essas perdas, surgem recuperações, cólicas, cobranças, vestibular e as paixões. De repente você percebe que os joelhos ralados doem muito menos que os corações partidos, afinal os joelhos ralados basta cuidar que cicatriza e com o tempo nem vamos lembrar como conseguimos aquela marquinha. Mas com os corações partidos é diferente, afinal só o tempo pode cicatrizar e não existe remédio que alivie a dor e a angustia que sentimos. É por isso que crescer dói. Pois com o tempo acabamos amadurecendo e temos que carregar o peso das nossas escolhas, dos nossos erros e do nosso orgulho. Não sabemos em que parte das nossas vidas a alegria e a inocência que tínhamos quando éramos pequenos se perdeu. Não sabemos onde nos perdemos, afinal foi tão rápido.

De repente tudo que sonhávamos quando era pequeno, começa a acontecer, e é assim que percebemos que crescer é empolgante, lindo, mas ao mesmo tempo é arriscado e muito assustador. É assim que percebemos que temos medo do futuro e que, ao contrário do que achávamos antigamente, não queremos que o tempo passe rápido. Mas infelizmente não tem como controlar o tempo, então o jeito é aproveitar cada minuto como se fosse o último e procurar enxergar os lados positivos e negativos de cada idade, lembrando sempre de amadurecer, mas não perder a alegria de viver.

02 outubro 2012

(In)sensível

Postado por Carolina Ctfra às 14:20 0 comentários
Quando vejo mulheres reclamando de solidão me pergunto: por que não me encaixo nesse padrão? Por que não sinto necessidade de me entregar a alguém? Por que não sinto necessidade de proteção? Por que me canso fácil das pessoas? Confesso que sou do tipo que não acredita em amor. Sempre fui muito complicada e por isso as pessoas se sentem atraídas, mas quando percebem que não vão conseguir desvendar os meus mistérios acabam desistindo. Mas não me importo, afinal eu adoro me desvendar e me sinto bem sozinha. Não sou insensível, eu amo muito, mas com pouca freqüência, porém na maioria das vezes sinto mais afeto pelos objetos. Amo minhas maquiagens, os livros, meus textos, as músicas, mas principalmente me amo acima de tudo. Taí duas coisas que assustam as pessoas, o tamanho do meu amor próprio e do meu egoísmo. As pessoas acreditam que quando está amando é preciso abrir mão de certas coisas para que os dois possam ser felizes, mas eu não consigo fazer isso. Não consigo deixar de fazer as coisas que quero apenas para deixar outra pessoa feliz, não consigo fingir que gosto de uma coisa se na verdade eu detestei, não consigo ser controlada e ter que dar satisfação para outra pessoa, e não consigo dividir meu tempo, minha casa, minha cama, meu coração e até me dividir com outra pessoa. Confesso que já gostei de muitas pessoas, simpatizei com outras, mas não consigo amar. Mas sinceramente, me sinto completa e estou feliz assim, e é isso que importa.

Sei que atualmente muitas pessoas estão usando a palavra amor e paixão em vão e isso tem banalizado esses sentimentos. Dessa forma, tem se tornado muito comum escutar as pessoas amando intensamente, sofrendo intensamente e ao mesmo tempo esquecendo rapidamente. Confesso que já cheguei a pensar que o problema era comigo, em ser fria e desapegada de mais, porém agora sei que o problema é com as pessoas que sentem e esquecem rápido, pois acho que é melhor não amar do que fingir que ama. Mas é estranho perecer deslocada, afinal as pessoas costumam me perguntar por que nunca amei, mas o que elas não conseguem entender é que eu amo. Amo-me, e é esse amor que importa!
 

Densidade Feminina Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos