08 dezembro 2012

Entre Aspas: Meia noite

Postado por Carolina Ctfra às 13:48

Há quem diga que ninguém é insubstituível, que pessoas entram e saem das nossas vidas o tempo todo. E realmente, de certa forma isso é verdade. Para que pessoas possam entrar em nossas vidas, outras precisam sair. Desocupar lugares, trocar as posições, as prioridades e todo o resto que acumula com o tempo. Há quem diga que a arte imita a vida e há quem diga que a vida imita a arte. Os filmes, por exemplo, contam histórias vezes reais, vezes não. Você vai ao cinema - ou compra um dvd -, compra pipoca e assiste a uma história. Uma história que não é sua, mas que muitas vezes se parece com a sua. Ou se não se parece com a sua, se parece com a de alguém que você conhece. Ou ainda, se não se parece com nada, te faz derramar algumas lágrimas e desejar que a sua história se parecesse com aquela. Aí as lágrimas percorrem o seu rosto e se misturam com a pipoca. Seja na história do cara mais popular da escola que se apaixona pela bobinha, ou na história da garota que se apaixona pelo ídolo, ou na do garoto que ama a melhor amiga, ou na da garota que ainda ama o ex namorado, ou na história de amor quem alguém morre no final. Ou vice e versa. No final do filme ou você está chorando desesperadamente por não ter um amor de cinema, ou você sai acreditando que o amor existe. Que em algum lugar do mundo ele existe e que algum dia você vai encontrá-lo. A função desses filmes - além de lucrar - é alimentar esperanças e sonhos. É fazer as pessoas acreditarem em algo realmente bom e verdadeiro. É plantar em cada pessoa uma fé inabalável em qualquer coisa que seja. A questão é que as histórias da vida real não são como nos filmes. Pelo menos não inteiramente. A síntese pode até ser parecida, mas cada história tem seus desdobramentos e singularmente, seus finais. Há quem diga que as histórias se repetem. Sim, elas até se repetem. Mas os personagens não são os mesmos, os sentimentos não são os mesmos e principalmente os finais não são os mesmos. Algumas histórias podem até se repetir, mas a essência de cada uma delas é única e os responsáveis por isso são aqueles que a integram. Gostar de uma pessoa pode ser divertido, inebriante, doloroso, difícil ou complicado. Depende de cada história, depende de cada ser. Só tem uma coisa mais complicada que gostar de alguém: Amar alguém. Tá aí uma coisa que os filmes não ensinam: como fazer isso certo. Até porque, existe amar alguém certo? Eu não sei. A vida é cheia de imprevistos, pessoas que vão embora querendo e outras que vão sem querer. Se distanciam. Aí chove de gente te bombardeando com aqueles clichês de que "se foi embora, é porque nunca foi de verdade". Pera aí, quem disse isso? Os filmes, também? Uma hora alguns personagens vão embora, dão um tempo e você precisa substituí-los. E eu digo substituí-los em presença, não em essência. Porque como já foi dito, cada um é singular e tudo aquilo que aquela pessoa representou na sua vida, não pode ser mudado. É história. Mas como todas as coisas vivas do mundo, precisa seguir em frente e precisa preencher os desfalques, para que não fique o vazio. Não fiquem os buracos. Por mais que as histórias se pareçam, isso não garante que elas terminem iguais. Não fique aí só chorando pelas histórias que não são suas, não se baseie nos filmes e nem nos mil conselhos que você recebe por aí. Levanta e vai fazer a sua história do jeito que você quiser, lute por tudo aquilo que você acredita que vale a pena. Por todos aqueles que você acredita quem valem a pena. Não fique esperando o príncipe encantando em um cavalo branco, um Ashton Kutcher da vida com um buquê de cenouras, um Zac Efron para te ajudar a realizar seus 10 últimos desejos antes da meia noite ou o fulaninho que você mais ama te beijar a meia noite do dia 31 de dezembro. Então quando der meia noite, o beije. Realize os seus sonhos por si só, garota. Ou ajude alguém a realizar. Esse é um texto para pedir menos clichês, menos roteiros e mais surpresas. Surpreenda alguém que você ama. Talvez as pessoas não sejam insubstituíveis mesmo, mas elas são únicas e inesquecíveis. Não espere até meia noite para fazer valer a pena.
 
 
Esse texto é da Marie Raya que é apaixonada por escrever e que cursa jornalismo. Ela escreve sobre musica, livros, comportamentos e cria alguns contos, enfim tem um pouco de tudo. Eu garanto que vale a pena conhecer o blog dela.

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